Homens Fiéis do Passado

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Miguel Servet (1511 a 1553)

Miguel Servet Conesa nasceu em 29 de setembro de 1511 em Villanueva de Sijena (Espanha). Era teólogo e médico. Recebeu uma formação católica desde a sua infância. A partir de 1530, Servet inicia uma viagem sem retorno pelas principais cidades da reforma protestante. Primeiro se dirige a cidade suíça de Basiléia, onde se hospeda na casa do reformador Ecolampadio.

É possível que já nessa época Servet tivesse compartilhado com Ecolampadio seu pensamento crítico com respeito ao dogma da Trindade. Após discutir com Ecolampadio, Servet se vê obrigado a abandonar apressadamente Basiléia. Em maio de 1531, Servet se encontra em Estrasburgo, cidade situada na atual fronteira franco-alemã, donde entrará em contato com os reformadores Capito e Bucero.

Em 1531, publicou a obra De Trinitatis erroribus (Erros da Trindade), chamando a essa doutrina de “um erro filosófico”. Denunciou que essa doutrina não podia ser entendida, que era impossível na ordem natural das coisas e que até pode ser considerada blasfema.

“Expressar-se com tanta franqueza lhe custou a condenação pela Igreja Católica, porém foi o fundador do calvinismo, João Calvino, quem se encarregou de prendê-lo e executá-lo. A sentença de morte dizia assim:

“Contra Miguel Servet no Reino de Aragão, na Espanha: Porque seu livro chama a Trindade demônio e monstro de três cabeças; porque contraria às Escrituras dizer que Jesus Cristo é filho de Davi; e por dizer que o batismo de crianças pequenas é uma obra de bruxaria, e por muitos outros pontos, artigos e execráveis blasfêmias com as que o livro está assim dirigido contra Deus e a sagrada doutrina evangélica ‘Restituição do cristianismo’, para seduzir e defraudar aos pobres ignorantes.

Por estas e outras razões te condenamos, M. Servet, a que te atem e levem ao lugar de Champel, que ali te sujeitem a uma estaca e te queimem vivo, junto a teu livro manuscrito e impresso, até que teu corpo fique reduzido a cinzas, e assim termines teus dias para que fique como exemplo para outros que queiram cometer o mesmo.”

Em 27 de outubro de 1553 foi queimado vivo na fogueira com um de seus livros preso a sua coxa. Morreu enquanto orava a favor de seus inimigos e recusava retratar-se. Alguns espectadores, impressionados com aquilo, chegaram a repudiar a doutrina da Trindade.”

Uma testemunha que estava junto de Servet, durante os últimos momentos de sua vida, relata que no dia em que foi queimado, sua cabeça estava cheia de piolhos e sua barba estava comprida havia semanas; quando foi encerrado na cadeia, estava com um olhar abatido. O carrasco ateava fogo em seu rosto, e utilizaram lenha verde para tornar esse momento mais horroroso. Suas últimas palavras foram: "Ó Jesus, filho do Eterno Deus, tem compaixão de mim!", e depois de meia hora seu corpo havia sido convertido em cinzas.

Tem-se dito que o grande reformador espanhol Casiodoro de Reina (tradutor da Bíblia conhecida hoje como "Reina-Valera"), chorou ao contemplar o lugar em Genebra onde foi queimado Miguel Servet, e que desde então foi considerado suspeito de estimar idéias antitrinitárias.

Calvino justificou seu assassinato com a desculpa de que se a Igreja Católica queimava a gente inocente que negavam suas falsas doutrinas, por que não haveria de se queimar a quem negava uma doutrina verdadeira. É evidente que o fanatismo e ódio desse reformador protestante cegaram os princípios cristãos nos quais supostamente cria.
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